Resumo
A dinâmica competitiva contemporânea impõe às micro e pequenas empresas (MPEs) a necessidade constante de adaptação e inovação, processos frequentemente mediados por serviços de consultoria externa. Este artigo analisa as dificuldades enfrentadas por essas organizações na adoção de sugestões de melhoria, debatendo alguns fatores determinantes: a modalidade de financiamento do serviço (estabelecendo uma comparação entre modelos de consultorias paga, subsidiado ou gratuito exemplificados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e pelo Programa Agentes Locais de Inovação (ALI), tanto no contexto nacional quanto internacional), os desafios operacionais cotidianos que delimitam a capacidade cognitiva e temporal do gestor, e a curva de aprendizagem individual e organizacional necessária para a absorção e institucionalização das mudanças propostas. Por meio de revisão bibliográfica sistemática em bases nacionais e internacionais, com recorte temporal de 2014 a 2025, o estudo examina o comportamento de gestores de MPEs frente a intervenções consultivas em diferentes contextos culturais em diferentes regiões geográficas, incluindo América Latina, Europa, Ásia e Américas e avalia como esses fatores interagem e impactam a execução da implementação de mudanças estruturais. Os achados indicam que os desafios que resultam a ocorrida baixa taxa de implementação de recomendações em programas gratuitos, como o Programa Agentes Locais de Inovação (ALI), não decorre exclusivamente da ausência de comprometimento financeiro, mas de um conjunto de condicionantes que inclui sobrecarga mental que reduz a capacidade de tomada de decisão e aversão à incerteza pela gestão operacional cotidiana (Mullainathan & Shafir, 2013), o estágio de maturidade do negócio (Churchill & Lewis, 1983) e o tempo necessário para que o ciclo de aprendizagem organizacional se complete (Argote, 2013). Conclui-se que políticas eficazes de apoio às MPEs requerem avaliação prévia dessas condicionantes e ajuste das intervenções ao momento operacional e ao estágio de desenvolvimento de cada empresa, sob pena de replicar o paradoxo documentado em intervenções internacionais: recursos bem-intencionados alocados em empresas ainda não preparadas para absorvê-los, mitigando assim as barreiras de adoção e contribuindo para a redução das taxas de mortalidade empresarial.
Dados do documento
- Autoria
- Boa Sorte, Morgana Lopes
- Orientação
- Moura, Jadson Belém de
- Tipo
- Publicação científica
- Comunidade
- Publicações PROPPEX › Programa ALI Sebrae - GO - Agentes Locais de Inovação
- Data
- 2026
- Idioma
- Português
- Endereço permanente
- https://arche.app.br/repositorio/item/ri-8fac8631c7
